Risonete Assis de Lima,

52 anos, é pedagoga e coordenadora regional de Educação em Pernambuco
Após 25 anos de experiência, a educadora que conhece como poucos o seu Estado, enfrenta agora o desafio de preparar e acompanhar a primeira escola Sesc com educação integral da região. Cerca de 300 alunos passam a receber a educação curricular do ensino infantil e fundamental, além de alimentação, aulas de arte, esporte e outros projetos pedagógicos.
“Quando, na minha vida, imaginei que ia conhecer Bodocó, Araripirina, Ouricuri?”, pergunta, rouca do cansaço das últimas viagens à Goiana, Risonete Assis de Lima, 52, coordenadora regional da área de Educação em Pernambuco referindo-se aos municípios do interior. Há 25 anos no Sesc, a pedagoga que entrou ainda estagiária na instituição, valoriza o conhecimento que as incursões ao interior trouxeram para a sua vida. Conhecer as pessoas, a cultura local, levar oportunidade de aprendizado para regiões carentes é o que Rosinete carrega de melhor da trajetória profissional.

A pedagoga viveu de perto a realidade da região: “Eu ia chegando ao município e pelo caminho já via o chão endurecido, as carcaças de animais, já ia sentindo o clima árido. Ao conversar com os professores locais eles relatavam as dificuldades que as famílias estavam vivendo. Em cidades que viviam da produção do queijo, por exemplo, quando havia seca tudo era prejudicado. Eu vi a dificuldade que é viver onde há seca. Vivenciei a dureza do sertão.”, conta.

Risonete também carrega a esperança de quem vive a renovação. “No Sesc, como o trabalho com educação permeia tudo, a formação da pessoa é o nosso objetivo e eu trabalho diretamente com isso, com a formação dos profissionais que irão formar os alunos. É gratificante ver a oportunidade surgindo, promovê-la e percebê-la no cotidiano.” A renovação e a falta de rotina são motores da atividade da pedagoga, mas nem sempre foi fácil de lidar com a correria do dia a dia, com a necessidade de disponibilidade, com a ausência de casa.

A vida da mulher ainda é mais marcada pela extenuante rotina que se estende além do trabalho, que cerca os cuidados a casa e com a família. Quando Risonete conheceu o marido, já trabalhava no Sesc, então a compreensão com as viagens foi sendo assimilada. Já com o filho a história nem sempre foi tranquila de lidar: “Quando ele era pequeno, muitas vezes eu chegava em casa e ele nem olhava pra mim, praticamente não me reconhecia.”, relembra.

A recompensa é perceber-se cuidando e apoiando o futuro de mais de 3 mil crianças que estudam nas 13 unidades do Sesc em Pernambuco. Risonete coordena diretamente 30 profissionais (na maioria mulheres) responsáveis pelo conteúdo pedagógico das escolas de ensino infantil e fundamental, além das atividades de educação complementar. Ela lida com o desenvolvimento das unidades, que inclui a atual implementação na unidade de Goiana, município litorâneo de mais de 75 mil habitantes a 60 km de distância de Recife.

A cidade recebeu dia 10 de fevereiro, a primeira escola Sesc com educação integral do Estado. Cerca de 300 alunos recebem a educação curricular do ensino infantil e fundamental, além de alimentação, aulas de arte, esporte e outros projetos pedagógicos.

A escola é o novo desafio da carreira de Risonete, que precisa, claro, continuar viajando para acompanhar o desenvolvimento do programa e “colocar a nova escola pra funcionar.” A preparação começou em agosto de 2013 e envolveu seleção e treinamento da equipe de professores e outros funcionários. O passo subsequente foi divulgar a escola na comunidade.

“A expectativa da chegada de uma unidade do Sesc é sempre grande porque não envolve apenas a escola, como neste caso, mas também acesso à lazer, com parque aquático, mais oferta de cultura, com teatro, galeria de arte.”, diz Risonete.

Em Goiana, implementar a escola significou marcar muitas reuniões com as famílias nos períodos pré e pós-inscrição. E embora a presença maciça ainda seja a das mães no acompanhamento dos filhos, nestes 25 anos de estrada, Rinosete percebeu uma mudança no perfil dessas mulheres: elas estão mais questionadoras. “Elas conhecem mais os seus direitos, vão à escola perguntar, querem conhecer a proposta pedagógica...”, conta. “Muitas vezes chegam à sala de aula com a lei impressa, em mãos, para perguntar alguma coisa garantindo-se na lei.”, relata. A diferença se reflete nos alunos, com a informação chegando mais rápido e acessível, com a tomada de posição das mães, a criança de hoje também já questiona mais em sala de aula.